Vestido de Noiva

Inicia-se a Semana Santa, a Grande Semana. Se há alguma sequência de acontecimentos que mereça a memória eterna da humanidade e deva perdurar por toda a história sem qualquer distinção, é a sequência dos fatos que ocorreu há quase dois mil anos atrás, numa semana como esta.

De repente, a humanidade que se via perdida e condenada à mansão dos mortos, ao fogo eterno – e que nada merecia além disso –, goza novamente da oportunidade de estar unida perfeitamente com a própria Perfeição. A humanidade, que nunca mais iria alcançar o fim para o qual fora criada (a unidade com a Trindade), repentinamente tem uma segunda chance. E uma terceira, e uma quarta. 70×7 chances.

Deus é tão misericordioso que percebendo que seu povo incansável vezes se afastava de Sua aliança, decidiu traçar uma aliança definitiva. Mas tal aliança não seria possível se Ele não tivesse deixado os meios para que pudéssemos retornar a ela todas as vezes que nossa fraqueza humana tomasse conta.

No antigo testamento, mesmo com o holocausto dos dons oferecidos a Deus, tais ofertas não eram o suficiente para manter o povo no caminho da aliança; não porque Sua graça não era suficiente, mas porque a oferenda era imperfeita. Na nova aliança o próprio Deus se dá em oferenda de maneira obediente, apagando a culpa da desobediência daquele que permitiu que o pecado condenasse toda a humanidade.

O Pai decidiu que era pela superação da desobediência, que fez com que Adão perdesse a vida levando toda a humanidade à morte, que a morte seria vencida. Mas para superar tal desobediência que conduz à morte era necessário que a própria morte se fosse superada. Foi por aceitar – por obediência, mesmo sendo Deus – a vontade do Pai de morrer da pior maneira possível que Jesus Cristo venceu a morte. A venceu pois era cem-por-cento Deus, e nos garantiu os méritos da vitória porque era cem-por-cento homem.

Mas para que dividisse tal mérito conosco, era necessário, porém, que Cristo nos unisse a Ele. Tal união não poderia ser apenas no Espírito, porque o ser humano é alma, mas também é corpo. Então ele decide nos deixar Seu corpo e Seu sangue como meio para tal união. Uma eterna noite de núpcias, onde nos tornamos um só corpo com Cristo.

Entretanto, não é possível entrar nestas núpcias sujo. É preciso nos vestir adequadamente, estar bem trajados. Então Ele, em sua infinita sabedoria, decide nos limpar do pecado original pelo Batismo, e partilhar conosco Sua filiação com o Pai. Mesmo assim, por nossa fraqueza, caímos novamente em tentação e nossas vestes perdem a brancura necessária para a festa. Perdemos constantemente, por nosso pecado, a capacidade de estarmos na presença do noivo.

Por isso, Ele nos deixa uma maneira eficaz de lavarmos nossa veste: o mesmo Sangue que nos tornou seus irmãos pelo Batismo e nos uniu a Ele pela Eucaristia, também nos alveja pelo sacramento da Reconciliação.

Que lindo tal Sacramento não? O Sacramento que reflete toda a misericórdia de Deus: a Trindade tanto deseja nossa participação em sua vida bem-aventurada que não mede esforços, desde o começo dos tempos, para nos manter unidos a Ela. De novo, de novo e de novo.

Contudo, a Trindade é Liberdade e Amor. Por isso, não força a noiva (cada um de nós, e sua Igreja universal) a participar das núpcias. É preciso que a noiva diga sim. Para dizer sim para esta união devemos nos mostrar interessados em sermos um com a Trindade: a imitação de Cristo é o caminho. Portanto, uma exigência é evidente: um coração manso e humilde.

Para nós que somos pecadores, a humildade do coração implica em reconhecermos nossa dissemelhança com Deus e aceitarmos esta condição de pecadores. Reconhecermos nosso pecado, que ele é a única coisa que nos afasta de Deus, e que por isso o ofende, é um passo necessário do nosso sim. Precisamos ter um coração contrito.

Reconhecer tal miséria não nos deve entristecer. Na verdade, devemos nos alegrar por Deus ter amor infinito pelos miseráveis. O Pai não abandona os que se reconhecem pequenos. Por isso o salmista canta “um coração contrito e humilhado tu não o rejeitas Deus” (cf. Sl 50(51), 19).

É isto que Ele nos pede, este é seu convite para as núpcias: “Filho meu, dá-me teu coração” (Pr 23, 26). Mas não iremos oferecer ao Pai de todo o poder, um coração manchado – o cordeiro deve ser sem manchas – ao passo que não podemos oferecer-Lhe também um presente sem manchas, pois não temos a capacidade de nos libertar das amarras do pecado. Por isso precisamos do Sacramento da Reconciliação, que para ser eficaz precisa de nosso arrependimento e de nosso esforço contínuo para não pecarmos mais.

Pela dureza de nosso orgulho e soberba nem sempre conseguimos este arrependimento e esta forte dedicação de não pecarmos mais. Mas a graça do Espírito Santo pode nos ajudar nisso também. Devemos pedir que Deus nos mostre o arrependimento. Se pedimos isso de coração, já é uma demonstração de humildade e contrição. A contrição perfeita é o desejo de amarmos a Deus sobre todas as coisas e o reconhecimento de que nosso pecado nos afasta dEle, ofendendo-O. Por isso, é o próprio Deus quem prepara o nosso coração, “dai-nos um coração que seja puro e um espírito decidido” pede o salmista (Sl 50(51), 12).

Este Domingo próximo, que se inicia na noite do Sábado Santo, cantaremos louvores ao Senhor e intercederemos por toda a humanidade. Estaremos neste dia, mais do que nos outros, participando da Noite de Núpcias do Cordeiro. A grande festa para qual Ele se deu a fim de nos preparar. Somos a noiva tão esperada por ele. Precisamos estar vestidos do branco mais branco. Do branco como a neve. Apenas o Sangue do Cordeiro pode alvejar nossas vestes (cf. Ap 7, 14). E Ele o faz pelo sacramento da Reconciliação.

Tomemos então o início desta semana para fazermos um longo exame de consciência para podermos reconhecer nosso pecado e buscarmos a confissão com um padre. Experimentemos no Espírito a misericórdia infinita do Pai. Não O deixemos frustrado por não aceitarmos tal presente. Abaixo estão dois links que contém excelentes exames de consciência:

Para adultos:

http://www.santidade.net/folhetos/Exame_adultos.pdf

Para Jovens (iniciar na página 2 e terminar na 1):

http://www.santidade.net/folhetos/Exame_jovens.pdf

Feito o exame de consciência, procuremos um sacerdote para confissão, e estejamos limpos para nossa noite de núpcias!

Bebamos todos da fonte da misericórdia que é o próprio Deus.

Senhor, Pai de misericórdia, que tanto nos ama e enviou seu Filho para nos salvar, conceda-nos a graça de um coração contrito e humilde, para que arrependidos de nossos pecados alcancemos Seu perdão e a força necessária para não mais vos ofender. Por nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém

Autor: Giovani Domiciano Formenton

 

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